Saturday, October 30, 2004

sentido algum nisso tudo

diz então que você entenderia minha solidão, aquela tímida que fala pouco
sobre amores, que é pra não te ocupar com chatices. aquela que nem sempre
esta do seu lado quando você precisa e então você fica brava, mas se esquece
que nem do meu lado ela lembra de estar. não somos tão culpados assim, não
somos essas pessoas podres e cinzentas por dentro que pensamos ser, somos
apenas eu e você ou você e eu, somos nós dois, no meio de tantos outros dois –
mas pensamos que somos diferentes, que com a gente vai durar pra sempre,
mas quando chove e a maquiagem escorre, da pra ver nos seus olhos, que você
nunca quis me levar a sério e eu poderia te odiar pro resto da vida por isso,
mas na verdade eu também, nunca te levei a sério, nunca nos levei a sério.
então, a culpa é de quem - não sei, procuro não me perguntar isso agora
não faz sentindo algum nisso tudo

biscoitos da sorte

não correrei atrás dos meus sonhos, nem você
não seremos felizes pra sempre, ninguém será
estou conformado de mais, com toda essa vida e
com tantas alegrias que pareço me sufocar nelas
o horóscopo nunca me disse o que eu queria ler,
o que deveria acontecer, mesmo assim, eu tentei
mas nas suas palavras de consolo eu sempre me
acomodava e deixava o mundo girar sem perceber
que havia uma vida pra viver. uma vida pra mim
e uma vida pra você. talvez algum dia eu encontre
isso, escrito em algum biscoito da sorte. se eu
achar, eu te conto, se você achar, então guarde.
talvez seja assim mesmo, quem sabe.